sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Brilho dos olhos.


Daqui posso observá-lo perfeitamente. As pernas cruzadas sobre o colo junto ao violão. Os dedos correm sobre as cordas distraidamente e tão perfeito como eu nunca havia visto antes, me sinto até sortudo por só eu ter essa visão.
Tudo nele me fascina, começa do seu modo de sorrir até o mais bobo deles, a forma com que faz meu coração pular com apenas um olhar. Nos olhos puros sinto-me acolhido sem permissão, quando me fitam meu corpo se contrai completamente, sou possessivo o suficiente para dizer que ele é meu, completamente meu, desde os olhos até os pensamentos e mesmo que não seja racional, quero roubá-lo para que seja meu de todas as formas possíveis.
Posso sentir sua presença mesmo quando não está por perto e amo tudo o que pode causar sobre mim. Amo a forma com que ele me acorda todas as manhãs, com seus beijos intermináveis e a forma que lida com meu mau humor matinal. Sinto-me único quando me pega em seus braços e sussurra palavras incoerentes em meu ouvido e mesmo assim eu as amo só por serem proferidas por ele.
Sou apaixonado por nosso começo e sua forma persistente de me conquistar, ao fechar os olhos ainda vejo nosso primeiro beijo, desajeitado e unicamente incomum, mesmo que todas as vezes seja diferente, aquele ainda é o mais especial. Não posso esquecer de citar o quanto amo vê-lo envergonhado, é uma pequena prova de que ele é mesmo real e que pode ser perfeito mesmo nesse ponto.
Deixo que fique bravo por minha causa de propósito, assim o morderei até que perca as forças e preencha o local com suas risadas e assim saberei que estou perdoado. Ele irá se render e no fim dirá que me ama, fazendo com que eu me sinta a pessoa mais feliz que possa existir.
E então ele deixa o violão de lado, abre os braços e em um pedido mudo me chama para eles. Transforma-nos em um só ao me manter seguro contra seu corpo. Perco o resto de sanidade que ainda me restava ao observar seu rosto a milímetros do meu, ao me enxergar com um pouco de dificuldade no brilho dos seus olhos.

Tenho um carinho especial por esse, você sabe o quanto. Enfim, tinha que estar aqui. Nunca vou esquecer do que passei ao seu lado, P.  

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

She, maybe the beauty or the beast.

Ela, complicada de forma única. Feliz e triste. Acalma o coração de qualquer um quando o seu mesmo está uma bagunça. Sorri com seus grandes olhos brilhantes, mesmo que essa seja apenas sua máscara, para que ninguém saiba de seus medos.
Ela, com sua risada encantadora, com seus toques inconfundíveis. Com seu abraço acolhedor.
Seus cabelos ao vento, quase como um anjo terrestre. Ela, a estrela mais brilhante existente, o meu amor inteiro.
Dona do meu sorriso. Dona da minha felicidade.
Ela, tudo pra mim.

É uma pequena prova do quanto te amo, Alice.
Minha Eliza.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O primeiro dia de nossas vidas.

Voltado para a janela vejo o dia lá fora, tão nublado como minha vida ultimamente. Venta tanto que poderíamos dizer estarmos perto do fim do mundo, bobagem.
Estou escondido de tudo que pode me machucar, estou escondido dentro de mim mesmo e por um momento achei que isso iria funcionar, me sinto uma criança estúpida, já passei dessa fase há tanto tempo.
Sabe quando dizem que o quanto mais alto você voa pior pode ser a queda? Não me dei conta de que poderia mesmo ser verdade, apenas estampei meu melhor sorriso e me deixei levar, diria estar em meu melhor momento, eu havia provado do amor. E hoje ele age contra mim. 
O relógio faz um barulho engraçado no cômodo ao lado, por alguns segundos me assusto e volto à consciência. Sempre tão pontual, escuto a chave girando na fechadura e ele entra silenciosamente, ao me ver encolhido no canto da sala  tira rapidamente o casaco o jogando em qualquer canto, caminha em minha direção e rapidamente me toma em seus braços.
“Fiquei tão assustado quando me ligou” Ele diz sem tomar fôlego. “O que foi que aconteceu, hum?”
“Só estava precisando de você, me perdoe” Reprimo um soluço.
E por alguns segundo ficamos assim. Ele me abraça da forma que preciso e meu coração se acalma aos poucos, como se por si próprio já pudesse notar que ele está ali.
Sem que pudesse entender o que acontecia ele me ergue em seus braços como quem carrega uma criança e naquele momento me senti como tal. Levou-me até minha cama e ali me deixou tão delicadamente como se fosse quebrar a qualquer momento.
Seu coração bate calmo a baixo de meu corpo e me deixei levar pela música que ele transmite, é meu calmante sem dúvidas. Seus dedos se enroscavam entre meus cabelos fazendo –propositalmente, com que eu fique sonolento, mas não quero dormir, acordaria sem ele comigo.
“O que está acontecendo? Você me parece uma bagunça.” Em seus olhos consigo ver meu reflexo e entendo o que ele quer com isso.
O que estava acontecendo comigo?
Levanto minha cabeça de seu peito para olhá-lo mais facilmente.  -Eu não sei, amor. – Ao ter consciência de como acabei de chamá-lo desvio os olhos rapidamente. Não podia estar me confundindo novamente, ele não me amava. Por Deus, até quando poderia suportar não tê-lo por inteiro? Seus pedaços já não me faziam feliz. “Talvez eu esteja desmoronando aos poucos. Pode ir embora se quiser, não quero que me veja quando estiver acabado.” Minha voz sai tão baixa que se não estivesse próximo de seu rosto teria certeza que não tinha me escutado.
E ele não disse nada, mas também não afrouxou os braços a minha volta.
“O que nós somos?” Corto o silêncio. “Não faz sentindo, nada faz sentindo aqui.”
“De novo isso?” Seu tom de impaciência é rapidamente notado e dessa vez não serei fraco diante seus olhos.
“Mas você nunca me respondeu” Digo o mais calmo possível, mesmo que meu coração dê saltos em meu peito.
“E...eu...” As palavras arranham minha garganta, até parecem fazer força pra que continuem onde estão e de onde não devem sair. “Sabe, quando apareceu foi como se tivesse juntado nossas vidas em uma só, mas claro, isso só pra mim. Ainda espero o dia em que venha me procurar e dizer-me que quer perder um pouco de seu tempo comigo. Isso nunca irá acontecer, não é mesmo?”
“Estar aqui não já é perder algum tempo com você?” Sua pergunta sai tão segura que me faz reprimir o choro.
“Não, você não quis isso, eu sei. Já pode recolher seu casaco e ir” Levanto-me da cama e me volto para a grande janela, me fazendo assim lhe dar as costas. “Talvez o silêncio nunca te perdoe... Espero que você esteja bem consigo mesmo”
Seus passos são ouvidos por mim, calmos. Como se meus olhos estivessem lhe seguindo o vejo vestir seu casaco e trilhar a sala até a porta, escuto a fechar com delicadeza e me deixo cair em um canto qualquer. Ele não voltaria, não precisava ser dito, eu já sabia.
E talvez eu não vá perdoar a mim mesmo depois te ter dito inúmeras vezes que o amava. Sou vitima de minha consciência, infelizmente ela ainda não é mais forte do que o sentimento que pulsa meu coração a cada segundo.

Sol da meia noite.

Bate compulsivamente dentro de uma caixa, pulsa tanto sangue que até parece que irá explodir a qualquer momento. E fará diferença? Ah sim, uma grande diferença. Você estará morto.
Na quarta avenida você já  sente que pode respirar normalmente, mas seus pensamentos ainda parecem estar em desordem e tudo gira como se tivesse acabado de descer de uma montanha russa. Ultimamente sua vida anda de cabeça para baixo.
O sol da meia noite lhe queima a pele pálida e as estrelas são as únicas testemunhas de suas loucuras. O amor está te deixando insano, conseguiu chegar ao ponto mais fraco rapidamente. Tomou seu coração.
E se não fosse tão impossível diria que está ficando inundado por dentro, tantas são as lágrimas que seu coração derrama e já não adianta gritar, isso não as fará secar. Correr por ai achando que encontrara braços que te acolherá é tão infantil quando você volta e enxerga que a realidade não é essa. Ora, nem ao menos sabe que você sofre tanto assim.
A cada empurrão que a vida lhe da é mais um tombo, é mais um arranhão. Cada passo que segue para o futuro é mais distante daquilo que queria no momento. Você  só precisava de menos pressão, talvez até se o tempo parasse por alguns instantes e fosse viver aquilo que clama dentro de você, mas é impossível e você ainda chora diante de uma foto.
Como uma criança você se distrai e acha que isso tudo passou, mas logo vem à tona de novo, às vezes com mais intensidade e você pensa que nunca se livrara de tal castigo. E você sente medo de escuro, acha que nunca terá  quem o proteja desse monstro invisível. Você acha que estará  sempre sozinho porque a pessoa de quem sente necessidade está fora de alcance.
Talvez ai você acabe cogitando a hipótese de viver em uma realidade que não é sua, mas que você nunca lutou por ela. Pode ser que seja bom viver sem o amor. Mas olhando para trás e vendo as quatro avenidas que já caminhou, pode ser que consiga seguir mais algumas em frente e mesmo que suas lágrimas pareçam ácidas e lhe machuquem  mais do que deveriam, talvez você deva tentar. Mas isso é só um talvez.